Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > Histórico
Início do conteúdo da página

Histórico

Acessos: 6219

Síntese Histórica - Hospital Central do Exército

 

Primeiro Hospital Militar da cidade, o Hospital Real Militar e Ultramar, foi criado em 1768, sob o governo do vice-rei Conde de Azambuja, nas casas do antigo Colégio dos Jesuítas, no Morro do Castelo.

Em 1830 uma Comissão Municipal considerou a localização do hospital inadequada: " A Situação deste Hospital sobre o Morro do Castelo nos parece ser a pior possível; sobre o cimo de uma montanha elevada, e defronte da barra ele está  exposto a uma ventilação excessiva e sujeito aos inconvenientes de uma condição difícil para os objetos de primeira necessidade; para os mesmo doentes é grande  o martírio de serem conduzidos por uma ladeira tão íngreme e perigosa[...]"

 

 

Decreto da Regência de 1832 extinguiu os hospitais militares e criou os Hospitais Regimentais, tendo sido instalado no Rio de Janeiro, um no Campo da Aclamação (atual Praça da República) e outro no Depósito da Praia Vermelha.  Os Hospitais Regimentais foram extintos em 1844, dando lugar ao Hospital Militar da Guarnição da Corte, de volta ao Morro do Castelo.

 

 

Com a proclamação da República, formou-se uma comissão para modernizar o exército e o serviço médico militar. Decreto do Marechal Deodoro de 1890 determinou a criação “na Capital Federal de um hospital central, único de 1ª classe!”. Em 1892 foi lançada a pedra fundamental do novo hospital na grande área de 78.960 metros quadrados, adquirida ao Jóquei Club, no bairro de Benfica. O projeto previa oito pavilhões isolados para enfermarias e um grande pavilhão para administração de serviços gerais.

 

 

Em 1902 foi inaugurado o hospital com apenas três pavilhões construídos. Somente em 1913, o majestoso Pavilhão Central, denominado "Floriano Peixoto", foi inaugurado pelo Presidente Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca. Os pavilhões restantes foram entregues em 1915, 1916 e 1922. Sessenta anos depois, o hospital foi modernizado. Para isso demoliram-se os antigos pavilhões, exceto o pavilhão central, belo exemplar da sobriedade e imponência do estilo Luís XVI adaptado ao uso hospitalar e militar, único remanescente do projeto original.

 

O Hospital Central do Exército, historicamente o mesmo instalado em fins de l768, no alto do Morro do Castelo, no ex-Colégio dos Jesuítas e hoje 2016, no bairro de Benfica, representa, para a história da Medicina Brasileira, um acervo dos mais significativos. Um trabalho de 247 anos de prática profissional acompanhando o progresso da ciência médica e dele participando em todos os momentos, testemunha, sem dúvida, a capacidade da Medicina Militar que, na paz e na guerra, comprovou com eficiência e senso humanitário. Atuações memoráveis de ilustres profissionais e fatos significativos compõem o panorama histórico da Instituição. 

 

 

 

Apresentação do Histórico do HCE

Esta minha apresentação tem o objetivo de relembrar, na memória de muitos, a minha origem, a minha vida e a minha luta.

“Surgi, nos documentos oficiais, nos idos de 1768 - final do ano - no centro da cidade do Rio de Janeiro, lá no alto do Morro do Castelo, no vasto casarão que havia abrigado a Companhia de Jesus. O Conde de Azambuja foi meu padrinho. São passados duzentos e vinte e oito anos ...

A metade de minha vida estive em atividade naquele local com alguns momentos de repouso para reparos e ampliações, sentindo a reconfortante brisa marinha e mirando a majestosa beleza desta cidade que, desde então, já se fazia maravilhosa. Já ocupei palácios, barracas e simples enfermarias de quartel.

Fui abrigo do ensino médico no Rio de Janeiro, por Ordem Régia do Príncipe D. João, com a criação da Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica, em 1808, sob a direção de Frei Custódio de Campos e Oliveira. Obreiro, disciplinador e organizador, foi Frei Custódio o verdadeiro tutor de meus interesses.

Fui palco de fatos relevantes nos Anais da Medicina Brasileira, nas mãos dos Drs. Cândido Borges de Medeiros, Augusto Cândido de Bustamante Sá, Roberto Haddock Lobo e Manuel Feliciano de Carvalho, médicos ilustres e expoentes da ciência médica brasileira.

Nas minhas salas foram realizadas aulas, reuniões, atos cirúrgicos, conferências, solenidades cívicas, congressos, velórios e cultos religiosos. Recebi, ao longo do tempo, enfermos militares e civis, tratados cuidadosamente por médicos competentes e enfermeiras dedicadas.

Com 228 anos de idade, tudo é possível...

Fui chamado de Hospital Real Militar e Ultramar, Hospital Regimental do Campo, Hospital Militar da Guarnição da Corte e, finalmente, Hospital Central do Exército.

Nas minhas novas instalações continuo a receber os doentes e feridos, prestando meu serviço à causa da Medicina Brasileira e, em particular, à Medicina Militar.

São anos de intenso trabalho, responsável e técnico, muitas vezes ignorado e algumas vezes não compreendido, mas sempre útil e proficiente. Não pude sentir as ingratidões e as ignomínias, porque meu tempo é consumido no trabalho diuturno, na guerra de todos os momentos. Para isto eu existo, luto e sobrevivo.

Das queixas dos descrentes, das rezas dos confiantes, da aflição dos desesperados e da generosidade dos encorajadores, já me fiz confidente e enfermeiro, sacerdote e médico. Muitas das orações e súplicas que ouvi, estão hoje no meu breviário como um credo dos mais autênticos; muitas das dores reveladas estão impregnadas nas minhas paredes, onde somente eu as ouço, as sinto e as compreendo.

Bendito recinto o meu, onde o sentido de uma prece comovedora, a alegria festiva da salvação redentora ou a força de um queixume incompreendido transcendem nos significados e nos anseios de que são possuídos.

Lamentos doídos, desenfeitados de ódios e exigências; sussurros de orações refeitas em arrependimentos e oferendas; júbilos lacrimejantes, derramados na mais límpida e prazerosa hora do agradecimento; e sentimentos saudosos, partidos do mais desprendido amor, foram quadros sensíveis que cercaram meu dia-a-dia sofrido e enigmático.

Vi o homem de branco chorar, contrariando a versão do quadro de frieza profissional; choro decorrente não somente da fuga repentina de uma vida em flor, mas aureolado de sentimento festivo pela salvação de uma vida periclitante.

Assisti mãos, imobilizadas pela fraqueza mórbida, crisparem-se no desespero final. Compreendi a beleza dos afagos dos últimos momentos e os suspiros da saudade prematura. Emocionei-me com a vitória sobre a morte, depois de tantos momentos de luta e imorredoura esperança, vendo o aperto de mãos agradecidas e num silêncio de recíproca compreensão.

De tudo isto, só posso afiançar que exercer a medicina, viver entre tantas dores e súplicas, decidir no mais breve instante, lutar contra um inimigo imponderável e desconhecido, asseverar-se da conduta correta, mesmo acreditando na falência da ciência, é a mais severa imposição que uma pessoa pode suportar. Sou testemunha viva desta luta intérmina.

Nascimento e Morte: momentos extremos da fugaz vida, obediência à lei biológica, critérios de um Deus Onipotente, impenetrável segredo ...

Esta é a minha trajetória nos anos já vividos. Estes são os meus momentos, desde que tudo começou em 1768.

Minha idade permite que eu possa expressar-me, contando fatos que conheço, relatando intimidades, rememorando grandezas e sofrimentos, sem, contudo, esquecer-se de todos aqueles que por aqui passaram, ajudando a erguer o nome da Medicina Militar.

 

Glória a quem passou benfazendo. Eu continuarei servindo ...”
Trechos da apresentação do Histórico do HCE

Autor: Gen Bda Med Alberto Martins da Silva

 
registrado em:
Fim do conteúdo da página